Carne de frango recua na 2ª quinzena com demanda enfraquecida
Queda no consumo doméstico pesa sobre cotações, mesmo com embarques em alta e oferta controlada
Os preços da carne de frango no mercado interno brasileiro passaram a registrar pequenas quedas na segunda quinzena de abril, após três semanas consecutivas de valorização sustentada pelo equilíbrio entre oferta e demanda.
De acordo com pesquisadores do Cepea, a pressão recente está diretamente ligada ao comportamento típico do consumo neste período do mês, quando há redução no poder de compra da população e, consequentemente, menor demanda.
Apesar do recuo nas cotações internas, o desempenho no mercado externo segue positivo. Dados da Secex mostram que a média diária de exportações de carne de frango in natura, considerando os primeiros 12 dias úteis de abril, alcançou 22,6 mil toneladas. O volume representa alta de 6,1% em relação à média de março e avanço de 3% frente ao mesmo período de 2025.
Esse bom ritmo de embarques, aliado a uma redução no número de abates apontada pelo Cepea, indica que a oferta interna permanece relativamente ajustada. Ainda assim, o fator determinante para a queda dos preços tem sido a fraqueza da demanda doméstica.
Para maio, o mercado trabalha com expectativas divididas. Parte dos agentes acredita em recuperação das cotações, impulsionada pela entrada da massa salarial e pelo aumento do poder de compra da população. Outro grupo, porém, adota postura mais cautelosa, considerando a sequência de altas observadas ao longo de abril e o impacto do repasse de custos ao consumidor final.
O cenário reforça a sensibilidade do mercado de proteínas ao comportamento do consumo interno, mesmo diante de exportações aquecidas.
