Os preços do trigo seguem em alta no mercado spot nacional, impulsionados pela oferta restrita do cereal nas praças acompanhadas pelo Cepea. A baixa disponibilidade do produto tem sustentado a valorização interna, mas também reduz a liquidez nas negociações, em um momento em que compradores buscam recompor estoques e produtores permanecem afastados das vendas.
No Paraná, estado de referência para o mercado tritícola, o preço médio do cereal ultrapassou R$ 1.280 por tonelada no fim de março. Segundo o Cepea, o valor representa um retorno a patamares observados em meados de setembro de 2025, reforçando o movimento de recuperação nas cotações internas.
De acordo com pesquisadores do Centro de Estudos, os produtores seguem retraídos no mercado, à espera de melhores oportunidades de comercialização. Além disso, parte dos agricultores está concentrada nas atividades ligadas à safra de verão, fator que também contribui para reduzir o volume de negócios no mercado disponível.
Moageiras buscam estoques e sustentam preços
Do lado da demanda, o cenário é de necessidade de recomposição de estoques, especialmente neste início de mês. As moageiras que seguem ativas nas compras encontram um ambiente de baixa disponibilidade, o que acaba fortalecendo o poder de barganha dos vendedores e sustentando os preços em níveis mais altos.
Segundo o Cepea, diante da oferta limitada, os compradores acabam aceitando os valores mais elevados pedidos pelos vendedores para garantir abastecimento. Com isso, o mercado mantém viés de firmeza, embora com ritmo mais lento nas negociações.
Para o setor, o momento é de preços mais sustentados, mas com comercialização travada, o que exige atenção tanto de produtores quanto da indústria quanto às próximas movimentações do mercado e à evolução da oferta nas próximas semanas.