A Comissão Nacional de Pecuária de Leite da CNA se reuniu nesta quarta-feira (14), em Brasília, para discutir temas considerados estratégicos para a cadeia láctea brasileira. Entre os principais assuntos estiveram a investigação de dumping envolvendo leite em pó importado da Argentina e do Uruguai, propostas de atualização sanitária e o cenário do mercado de leite em 2026.
Durante o encontro, o presidente da comissão, Jonadan Ma, destacou a importância do debate diante dos desafios enfrentados pelos produtores rurais e da necessidade de fortalecer a competitividade do setor.
A investigação conduzida pelo Departamento de Defesa Comercial (Decom), ligado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), foi um dos principais pontos da reunião. O assessor técnico da CNA, Guilherme Dias, explicou que houve avanços importantes no processo, especialmente após o reconhecimento da similaridade entre o leite em pó importado e o leite in natura produzido no Brasil.
Segundo Dias, a próxima etapa será o reconhecimento definitivo do dano causado pelas importações e da relação entre a entrada do produto estrangeiro e os prejuízos ao mercado doméstico. “As impressões preliminares do Decom são positivas, mas somente o parecer final definirá o resultado do processo”, afirmou.
O consultor Rodrigo Pupo, da MPA Trade Law, reforçou que o governo brasileiro já reconheceu a prática desleal de comércio. Agora, o setor aguarda uma eventual aplicação de medidas antidumping, que ainda deverá passar por discussões técnicas e análise da Camex, prevista para o fim de maio.
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Dados apresentados durante a reunião apontam margens de dumping de até 61,4% para empresas argentinas e de 49,4% para companhias uruguaias investigadas. Para a CNA, o objetivo é garantir condições mais equilibradas de concorrência para o produtor brasileiro.
Além da pauta comercial, o encontro também tratou da modernização do Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose (PNCEBT). Entre as propostas discutidas estão melhorias na gestão dos cadastros de rebanhos e das Guias de Trânsito Animal (GTA), buscando tornar os dados sanitários mais precisos e eficientes sem aumentar custos aos produtores.
No cenário de mercado, representantes do setor destacaram que a produção leiteira segue em crescimento em 2026, embora em ritmo mais moderado por conta das margens mais apertadas da atividade. A avaliação é de que produção e demanda permanecem equilibradas até o momento.
Outro ponto de atenção apresentado durante a reunião envolve as condições climáticas para os próximos meses. A possibilidade de formação do fenômeno El Niño a partir de setembro pode provocar excesso de chuvas na região Sul e redução das precipitações no Norte e Nordeste, cenário que exige planejamento por parte dos produtores.
