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Empresas de máquinas boicotam feiras do agro do segundo semestre

Foto do autor Jair Reinaldo
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Empresas de máquinas boicotam feiras do agro do segundo semestre
AgroBrasília acontece no Distrito Federal, de 20 a 24 de maio, e sentiu efeitos da crise na comercialização dos estandes Foto: Divulgação

Fator principal é a crise econômica do setor, mas os altos custos de participação e o fato de as feiras terem impactos regionais também influenciam decisão das indústrias e concessionárias de maquinário agrícola

Um movimento silencioso e preocupante está acontecendo e preocupando os organizadores das feiras agro que acontecem a partir deste mês de maio no Brasil: a debandada de indústrias e concessionárias. Um documento que circula nas redes sociais comunica que concessionárias das marcas New Holland, John Deere, Case IH, Massey Ferguson, Kuhn, Fendt, Valtra, Horsch e Jacto não irão participar de feiras regionais como a Agrotins (TO) e Agrobalsas (MA).

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“Ninguém quer se expor. O assunto é delicado. Porém, a não-participação está se estendendo para outras feiras, como Agrobrasília (DF) e Expointer (RS)”, afirma uma fonte consultada pela reportagem do RuralNews. A crise no agronegócio é o principal motivo desse reposicionamento em relação às feiras “regionais”, de menor dimensão e menor amplitude geográfica.

A próxima feira do setor é a AgroBrasília, que acontece no Distrito Federal, de 20 a 24 de maio, com foco em tecnologia e inovação. Luciana Lacerda, responsável pela assessoria de imprensa do evento, afirma que a feira teve um declínio na parte comercial, mas que a feira segue com seus 700 expositores. Ela credita essa queda à crise vivida pelo setor. “Mesmo diante disso, a AgroBrasília segue firme e a gente vai fazer uma feira com resultados bons e positivos”, afirmou.

Ela frisa que o momento é complicado não somente no agronegócio. “O produtor está endividado e isso gera um efeito dominó que afeta toda a economia”, salienta, acrescentando que a organização já espera um declínio no volume de negócios, assim como aconteceu nas outras feiras, o que é natural dentro do atual panorama.

Uma taxa Selic histórica de 14% ao ano, a desvalorização do preço das commodities, o endividamento dos produtores rurais e o alto custo de produção são os principais motivos da crise que afeta o agronegócio brasileiro. Cada vez mais, a conta da rentabilidade no campo fica no vermelho, o que leva os produtores rurais ao buscarem renegociação de dívidas e repensar seus custos.

O impacto principal é na capacidade de investimento do agricultor, que afeta principalmente o mercado de máquinas agrícolas. Um gerente de concessionária no interior do Paraná confidenciou à nossa reportagem uma queda de vendas de 30% até o momento em relação ao ano de 2025. “No momento, o produtor está priorizando investimentos mais estratégicos”, afirmou.

BALANÇO DAS GRANDES FEIRAS

No primeiro semestre do ano acontecem as grandes feiras do agronegócio nacional: Show Rural Coopavel (PR), Expodireto (RS), Tecnoshow (GO) e Agrishow (SP) abrem o calendário de eventos do setor. Como acontecem em grandes regiões produtivas e atraem visitantes de todo o Brasil, essas quatro primeiras feiras não sentiram diretamente os efeitos da crise no setor. Porém, o volume de negócios, que é o principal indicador do humor do mercado, teve redução em todas.

O Show Rural Coopavel, realizado em Cascavel (PR) de 9 a 13 de fevereiro, encerrou sua 38ª edição com resultados recordes, movimentando R$ 7,5 bilhões em intenções de negócios e recebendo 430,3 mil visitantes. O evento superou o número de visitantes de 2025, totalizando 407 mil pessoas. O destaque do Show Rural Coopavel foi o visitante buscando por inovações para reduzir os custos de produção.

A Expodireto Cotrijal, realizada em março de 2026 em Não-Me-Toque (RS), foi marcada por um clima de cautela, focando em soluções para o endividamento rural no Rio Grande do Sul e na adoção de tecnologias para enfrentar margens apertadas. A feira destacou a resiliência dos produtores diante da quebra de safra, com alta procura por inovações em sementes e a modernização de máquinas usadas em vez da compra de novas. A crise no agro gaúcho foi o principal fator que influenciou os negócios na feira.

A Tecnoshow Comigo, realizada de 6 a 10 de abril em Rio Verde (GO), foi outra que registrou uma queda de 30% no volume de negócios em relação a 2025. Os números positivos foram no setor de insumos, que manteve-se estável, indicando que o produtor priorizou o custeio para a continuidade da safra.

A Agrishow, evento que aconteceu de 27 de abril a 1º de maio em Ribeirão Preto, interior de São Paulo, também registrou uma queda de 30% no volume de negócios. Considerada a maior feira agro da América Latina, o evento se tornou palco de grandes lançamentos e de oportunidades de negócios internacionais, o que o coloca numa situação privilegiada quanto à participação das grandes empresas do setor, especialmente de maquinário agrícola.

SOLUÇÃO PARA A CRISE

Para o presidente da APEPA (Associação Paranaense de Planejamento Agropecuário), Daniel Galafassi, a salvação do agro está nas mãos do Governo Federal. “Porém, o que a gente vê é que só se tem dinheiro para emendas parlamentas e não sobra nada para a agricultura”, critica.

Galafassi aponta as altas taxas de juros como o principal problema do agronegócio. “Hoje, os agricultores estão com a ficha suja. Falta dinheiro no mercado e ele é obrigado a pegar juros no setor privado, que cobra taxas muito maiores”, afirma. “O crédito rural hoje não dá 30% do custeio da lavoura, o que leva o produtor a pegar dinheiro nas tardes, revendas, cooperativas onde o juro é muito mais alto”, salienta.

Para ele, a solução é uma mudança drástica nos juros e crédito, como foi feito em 1994 no Governo Fernando Henrique Cardoso. “Na época, foi feito uma securitização para pagar as dívidas dos produtores rurais. Isso regularizou a situação de todo mundo”, relembra. Para ele, o passo seguinte é colocar dinheiro no mercado e subsidiar os juros. Precisamos de programas de investimentos em maquinários agrícolas, calcário e fertilizantes. O investimento em silos e armazenagem deve ser outra prioridade”, afirma.

O cenário preocupa, pois a cada dia que passa a crise se acentua, a indústria repensa investimentos e as vendas apresentam quedas. Um triste cenário para o setor econômico que mais produz riquezas e sustenta a economia brasileira.

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Editor RuralNews
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