CNA debate frete e gargalos nos portos
Entidade discute efeitos da tabela de frete e limitações estruturais que afetam exportações
Os impactos do piso mínimo do frete rodoviário e os desafios da infraestrutura portuária estiveram no centro das discussões da Comissão Nacional de Logística e Infraestrutura da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, em reunião realizada na terça-feira (5). Os temas refletem preocupações crescentes do setor com o aumento dos custos logísticos e as limitações no escoamento da produção agropecuária.
Segundo o presidente da comissão, Mário Borba, os entraves logísticos no Brasil são históricos e envolvem diferentes modais, como rodovias, ferrovias e hidrovias. Ele destacou que muitos projetos seguem inacabados ou sequer saíram do papel, reforçando a necessidade de soluções estruturais de longo prazo para o setor.
Frete mínimo e aumento de custos
Um dos principais pontos debatidos foi a Política Nacional de Piso Mínimo do Transporte Rodoviário de Cargas e os efeitos da fiscalização eletrônica implementada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres em 2025. O sistema automatizado cruza dados digitais de transportadoras e tem gerado autuações sem análise individual.
De acordo com a CNA, esse modelo tem provocado excesso de multas, falhas operacionais — como autuações duplicadas — e aumento nos custos logísticos para o agro. O descumprimento da tabela pode resultar em penalidades que chegam a R$ 10 milhões, além da suspensão do registro das empresas.
Diante desse cenário, a entidade ingressou com uma ação no Supremo Tribunal Federal questionando a constitucionalidade da política. A CNA argumenta que a medida distorce o mercado e prejudica tanto produtores quanto transportadores.
Infraestrutura portuária no limite
Outro tema central foi a situação dos portos brasileiros, apontada como um dos principais gargalos para as exportações. Representantes do setor afirmaram que o país enfrenta defasagem estrutural, com capacidade operacional próxima do limite.
A falta de espaço em terminais, de berços de atracação e de incentivos para navios maiores tem dificultado a modernização da frota e reduzido a eficiência logística. Segundo especialistas, esse cenário compromete a competitividade do Brasil no comércio internacional.
O problema é ainda mais evidente no Porto de Santos, principal corredor de exportação do país. Apesar de recordes de embarque, o crescimento do porto tem ficado abaixo da média nacional, refletindo limitações estruturais e operacionais.
Entre os impactos citados estão congestionamentos, atrasos no embarque, filas de caminhões e aumento de custos adicionais, fatores que afetam diretamente a rentabilidade do setor.
Para representantes da cadeia exportadora, a superação desses entraves passa pela retomada de investimentos em infraestrutura e pela ampliação da capacidade dos terminais, com foco em eficiência e competitividade.
