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Mercado de cacau enfrenta volatilidade global

Foto do autor Jair Reinaldo
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Mercado de cacau enfrenta volatilidade global
Mercado de cacau enfrenta pressão de custos e incertezas climáticas no cenário global

Mesmo com superávit projetado, mercado segue sensível a clima, custos e demanda global

O mercado global de cacau continua pressionado por um ambiente macroeconômico adverso e por incertezas climáticas, mesmo diante da expectativa de superávit na safra 2025/26. De acordo com a Hedgepoint Global Markets, o cenário combina custos elevados, demanda desigual e riscos crescentes ligados ao clima.

A projeção atual aponta para um superávit global de cerca de 356 mil toneladas na temporada 2025/26, número levemente inferior às estimativas anteriores. Ainda assim, esse saldo positivo não elimina a sensibilidade do mercado, já que mudanças nos fundamentos podem alterar rapidamente o equilíbrio entre oferta e demanda.

Segundo a analista de Inteligência de Mercado da Hedgepoint Global Markets, Carolina França, o ambiente macroeconômico tem papel central nesse contexto. A escalada de tensões no Oriente Médio tem impactado rotas logísticas estratégicas, elevando custos com energia, fretes e seguros, o que aumenta a volatilidade do setor.

Esse movimento também pressiona insumos importantes, como fertilizantes, especialmente os nitrogenados, ampliando os riscos inflacionários em toda a cadeia produtiva.

Demanda global avança de forma desigual

O comportamento da demanda por cacau tem variado entre as regiões. Na Ásia, o primeiro trimestre de 2026 trouxe sinais positivos, com crescimento de 5,2% na moagem, puxado principalmente pela Malásia, que registrou alta de 8,7%.

Em contrapartida, a Europa apresentou retração de 7,8% no processamento, influenciada por baixos níveis de importação. Os Estados Unidos também registraram queda na moagem, reforçando o cenário de desaceleração em mercados tradicionais.

No Brasil, a indústria enfrenta desafios adicionais, como restrições às importações e incertezas regulatórias, o que contribuiu para uma leve queda na moagem no início do ano.

Clima aumenta incertezas para próxima safra

Do lado da oferta, os principais países produtores entram em uma fase decisiva do ciclo agrícola, entre a safra intermediária e o desenvolvimento da próxima safra principal.

Nesse contexto, o aumento da probabilidade de ocorrência do El Niño surge como um dos principais fatores de risco para o médio e longo prazo. As projeções indicam que o fenômeno pode se estender até o fim de 2026 e início de 2027, elevando a possibilidade de temperaturas mais altas e impactos variados sobre a produção.

Segundo a Hedgepoint Global Markets, o El Niño não apresenta efeitos uniformes sobre o cacau, podendo gerar tanto perdas quanto ajustes positivos, dependendo da região e do momento do ciclo produtivo. Ainda assim, o fenômeno aumenta o risco e exige monitoramento constante por parte do mercado.

Superávit não elimina volatilidade

Apesar da previsão de superávit na safra 2025/26, o mercado permanece altamente sensível. O saldo positivo é resultado de uma recuperação parcial da produção combinada com retração da demanda, e não de um crescimento expressivo da oferta.

Diante desse cenário, qualquer mudança nos fundamentos — seja na demanda, nos custos ou nas condições climáticas — pode provocar oscilações relevantes nos preços e na dinâmica global do cacau.

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Editor RuralNews
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