Suíno vivo tem queda recorde de mais de 30% em 2026
Consumo interno enfraquecido pressiona cotações, mesmo com exportações firmes
O mercado de suínos no Brasil enfrenta um cenário de forte desvalorização em 2026. Segundo dados do Cepea, o preço do suíno vivo acumula queda superior a 30% no ano, configurando a retração mais intensa para o período em toda a série histórica iniciada em 2002.
Na praça SP-5, que reúne importantes regiões produtoras do estado de São Paulo, a desvalorização real chega a 32,8% ao comparar a média de abril com a de dezembro de 2025. O movimento é resultado de sucessivas quedas registradas nas últimas semanas, refletindo um mercado com menor sustentação de preços.
Apesar do bom desempenho das exportações de carne suína, que ajuda a limitar a oferta interna, o consumo doméstico segue enfraquecido e tem sido o principal fator de pressão sobre as cotações. A demanda interna mais lenta reduz o ritmo das negociações e mantém compradores cautelosos.
No atacado, o comportamento também é de queda, ainda que menos intensa. A carcaça especial acumula desvalorização real de 30,1% no ano, atingindo o menor patamar desde fevereiro de 2019, conforme levantamento do Cepea.
A expectativa do mercado para maio é de possível estabilização nos preços, impulsionada por fatores sazonais, como a entrada de renda com o pagamento de salários, o aumento do consumo no período do Dia das Mães e o fim da sequência de feriados.
Mesmo assim, o cenário ainda exige cautela por parte dos produtores, que seguem lidando com margens pressionadas diante da combinação de preços mais baixos e demanda interna fragilizada.
