CNA reage a restrições no crédito rural
Entidade discute impacto do uso de dados ambientais pelos bancos e acelera articulação por mudanças no Congresso
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) intensificou a discussão sobre as restrições ao crédito rural e avançou na articulação de pautas prioritárias no Congresso Nacional. Durante reunião do Núcleo de Relações Institucionais, realizada na quinta-feira (30), a entidade tratou dos impactos causados pelo uso de dados ambientais na concessão de financiamentos ao setor.
Desde 1º de abril, instituições financeiras passaram a utilizar informações do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes) na análise de crédito para propriedades com mais de quatro módulos fiscais. A medida, prevista em resoluções do Conselho Monetário Nacional (CMN), tem gerado preocupação entre produtores e entidades do setor.
De acordo com a CNA, a mudança tem dificultado o acesso ao crédito rural. O assessor técnico Guilherme Rios explicou que a entidade elaborou uma nota técnica sobre o tema e apresentou um projeto de decreto legislativo para suspender uma das resoluções. Além disso, a confederação ingressou com medida cautelar no Supremo Tribunal Federal (STF) solicitando a suspensão das normas.
Segundo relatos recebidos pela entidade, produtores já enfrentam entraves na obtenção de financiamento. A preocupação aumenta com a proximidade do início da próxima safra, em julho, período em que a demanda por crédito tende a crescer.
Durante o encontro, também foram apresentadas as propostas da CNA para o Plano Agrícola e Pecuário (PAP) 2026/2027. Entre os principais pontos estão a previsão de R$ 623 bilhões em recursos, a criação de um plano plurianual, o fortalecimento do seguro rural e a modernização das linhas de crédito.
A agenda legislativa também esteve no centro das discussões. A entidade acompanha projetos relacionados a crédito rural, securitização de dívidas, fertilizantes, regras trabalhistas no campo e tributação. A avaliação é de que as próximas semanas serão decisivas para avançar nas pautas, antes da redução das atividades parlamentares por conta do calendário eleitoral.
A CNA reforçou a importância da mobilização do setor produtivo para acompanhar as discussões e garantir que as demandas do agro sejam consideradas nas decisões que impactam diretamente o financiamento e a competitividade no campo.
