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Pecuária leiteira 4.0: como será a vaca do futuro?

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Pecuária leiteira 4.0: como será a vaca do futuro?

Produtor passa por desafios para aumentar produção, desde o uso de tecnologias até desmistificar as polêmicas que afetam a imagem

Agricultura 4.0 é um termo ao qual já estamos habituados mas e pecuária 4.0? E na atividade leiteira?  A pecuária de leite ainda é conhecida por ser uma atividade de pequenas famílias que produzem leite e entregam para a indústria. Não é bem assim. Nos últimos anos grandes propriedades, com grandes produtores têm surgido e elevado o potencial produtivo do Brasil. Não é a toa que já são mais de 350 municípios brasileiros com produtividade superior a de 4 mil litros por vaca, alguns atingindo até 6 mil litros por vaca, padrão de países desenvolvidos como a Nova Zelândia. 

A pecuária de precisão amplia as possibilidades do criador diante do desafio de ter cada vez mais animais, mais produção e assertividade na gestão para que o cuidado com cada animal siga individual, respeitando suas características para evitar prejuízos na produção. Já existem softwares e aplicativos que permitem fazer a coleta, armazenar e analisar dados como taxa de prenhez, cio, dados sobre o bezerro, produtividade, entre outros. Além disso a pesquisa e programas de melhoramento da Embrapa Gado de Leite, vem auxiliando nos ganhos. Um projeto com girolando, por exemplo, mostrou aumento de 60% na produção e o melhoramento com gir, um aumento de 52% na produção e 69% de diminuição na emissão de gases. “Com a nova ferramenta de avaliação genômica é usado o DNA de cada animal, o que faz com que a seleção seja mais rápida e efetiva”, destaca o pesquisador Marcos Vinícius Barbosa.

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Recentemente o USDA também “desenhou” o que seria a vaca do futuro. Você pode conferir na reportagem em vídeo que está logo abaixo deste texto, no último episódio da série "Pecurária 4.0: o caminho do boi brasileiro".

Dificuldades de produzir x consumidor conectado

“Não vamos falar de agricultura ou pecuária. Vamos falar de food tech. O que o consumidor quer e a facilidade que chega até ele. A cadeia do leite precisa se alertar para isso ou ficará para trás. O consumidor quer sustentabilidade, rastreabilidade e que tudo chegue rápido pelo celular, em sua casa”, provoca o chefe-geral da Embrapa Gado de Leite, Paulo do Carmo Martins. 
Ele enfatizou a crescente demanda de trabalhar com inteligência, precisão, pesquisa e bem-estar animal, em uma realidade próxima onde, acredita, que fazendas serão monitoradas pelo consumidor. “O produtor precisa se qualificar com boas práticas para produzir produtos de mais qualidade e maior valor agregado”, acrescenta.

O Anuário do Leite 2019 mostra que o mercado brasileiro está mais equilibrado em termos de oferta e demanda ma alguns fatores ainda impedem o maior crescimento. De acordo com a Embrapa Gado de Leite são:

- Fraudes: depois de sete anos as Operações Leite e Queijo Compensado ainda repercutem na confiança. Desde maio de 2013, foram realizadas 12 operações que resultaram em 276 denunciados pelo crime de adulteração, com adição de substâncias ilegais  como amido e água oxigenada.

- Visão de curto prazo: o preço oscila muito e há dificuldades de estabelecer políticas consolidadas com o governo, como a recente demanda do PEP (Prêmio para Escoamento da Produção), que busca subsídio federal para o frete de 50 mil toneladas, com prêmio de R$ 2.000 por tonelada.

- Falta de barreiras para produtos de fora: O Brasil é o principal destino do leite argentino, com 99 mil toneladas e 23,7% do leite uruguaio. 

- IN 76 E 77: alguns produtores não seguem a risca as instruções de higiene de equipamentos de ordenha, dos úberes e resfriamento. Falta orientação e assistência técnica para total adequação.

- Bem-estar animal: a produção brasileira não tem barreiras sanitárias sólidas para certificar que uma fazenda está livre de doenças como a brucelose e tuberculose. A enfermidade pode passar do leite para as pessoas que consumirem. 

-Transporte: estradas ruins, frete caro e distância de grandes centros são entraves para o aumento da produção e comercialização. 

- Uso indiscriminado de antibióticos: com nanotecnologia já é possível identificar substâncias não autorizadas, reduzir a concentração e toxicidade, saindo da via de aplicação injetável para a tópica, por exemplo, e reduzir o índice no leite. 

- Gases de efeito estufa: a polêmica da emissão prejudica o setor. Com manejo correto os dejetos podem ser convertidos em energia limpa, com uso de biodigestores, ou até biofertilizantes. 

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Editor RuralNews
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