Pressão negativa marca última semana de abril no boi gordo
Quedas atingem todas as praças, com influência da China, sazonalidade e ajustes no mercado
A precificação da arroba do boi gordo foi impactada, negativamente, nesta última semana de abril, com quedas identificadas em todas as praças brasileiras. O fator é resultado de uma série de ações e expectativas, algumas presentes no mercado, outras na sazonalidade do modelo pecuário e há, ainda, aquela que é consolidada, mas que pode ter alguma reversão, estou falando da China. Começo pelo argumento final do paragrafo de abertura deste artigo, por que é certo que todos os cenários que possamos pensar, em carne bovina e pecuária de corte, têm a China com elemento essencial. Já escrevi sobre isto antes por aqui, no Rural News, ressalto que no fechamento do primeiro trimestre os embarques já atingiam 46% do total de 1,1 milhão de toneladas da cota estabelecida aos exportadores brasileiros e que ao final do mês de atual, abril, deve chegar a pouco mais de 60%. A cota encerra até julho. ok. E, particularmente, não vejo possibilidade de revisão da cota no curto prazo. Por outro lado, o contingente bovino para corte ofertado no segundo semestre é menor, em 2026 muito menor e, tudo aponta que há um movimento de desvalorizar um produto que será raro e estará nas mãos de produtores que não exerceram nenhuma proteção. Quem exerceu entrega por valores bem melhores, desde já. Sobre a sazonalidade, abril costuma mesmo ter elevações para arroba do boi gordo, seguido por um maio que costuma trazer correções negativas, fazendo um ajuste na relação preço da arroba, lotação de rebanho e disponibilidade de pasto. Acontece que o terceiro item ainda é positivo para o pecuarista e as escalas formadas há cerca de duas semanas, levando os dias garantidos de abate para em torno de 10 ou 11 dias, parece pouco frente aos cenários de mercado. Observem: é natural o preço da arroba recuar diante da iminência de bater a cota para a China e escassez de pasto, mas parece cedo. Na ponta da demanda por carne bovina, a doméstica segue firme, enquanto as exportações caminham para novo recorde em abril (os números finais do mês de abril serão apresentados na próxima semana). Contudo, a parcial apresentada no começo da semana, para vendas até a 4ª semana do mês ou 16 dias úteis, trouxe a média diária para 13,51 mil toneladas, quase 12% superior ao mesmo período do ano passado. Com isso, a venda até o momento alcança 89,6% do total de abril do ano passado ou 216 mil toneladas. Os dados são da Secretaria de Comércio Exterior.
