Quedas de energia geram prejuízos milionários ao agro no PR
Produtores relatam perdas com interrupções e contestam proposta de reajuste na tarifa elétrica
As falhas no fornecimento de energia elétrica no Paraná, que já vêm causando prejuízos significativos no campo, foram tema de audiência pública no Senado nesta terça-feira (5). O debate ocorreu em meio a relatos de perdas recorrentes na produção agropecuária e à proposta de reajuste de 19,2% na tarifa pela Copel.
Durante a audiência, representantes do setor produtivo, incluindo o Sistema FAEP, relataram impactos diretos das quedas e oscilações de energia. Os problemas vão desde paralisação de atividades até morte de animais e danos a equipamentos nas propriedades rurais.
Segundo o presidente da entidade, a instabilidade no fornecimento tem se tornado um fator de risco para a atividade no campo. Além das interrupções frequentes, produtores enfrentam demora no restabelecimento do serviço e variações de tensão que comprometem a produção.
Dados apresentados indicam divergência entre os indicadores oficiais e a realidade percebida pelos consumidores. Enquanto o tempo médio de interrupção informado gira em torno de sete horas por ano, relatos apontam períodos que podem chegar a mais de 17 horas, considerando ocorrências não contabilizadas nos índices oficiais.
Prejuízos no campo
Casos concretos reforçam o impacto da instabilidade. Em Tupãssi, no oeste do estado, a falta de energia resultou na perda de cerca de 900 mil quilos de tilápia, com prejuízo estimado em R$ 9 milhões. Em São Miguel do Iguaçu, uma falha no fornecimento provocou a morte de 20 mil frangos.
Outro episódio ocorreu em Cruzeiro do Sul, onde uma interrupção de seis horas comprometeu o processamento de ovos e atrasou a entrega da produção.
As oscilações de energia também foram apontadas como problema relevante. Mesmo quando não entram nos indicadores de qualidade por serem de curta duração, essas variações podem interromper sistemas produtivos e gerar perdas.
A audiência reuniu representantes de diferentes setores e órgãos reguladores, e o tema deve seguir em discussão diante da pressão por melhorias no serviço e dos impactos já registrados no campo.
