O preço do etanol hidratado registrou a maior queda entre os combustíveis na segunda semana de maio e atingiu o menor patamar de 2026 no mercado brasileiro. Segundo levantamento do Monitor de Preços de Combustíveis da Veloe, com apoio técnico da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), o litro do biocombustível caiu 3,83% em relação à última semana de abril, passando para R$ 4,48 na média nacional.
O movimento ocorre em meio ao avanço da safra de cana-de-açúcar no Centro-Sul do país, principal região produtora, que elevou a oferta do produto no mercado interno. No mesmo período, a gasolina comum teve redução mais moderada, de 0,27%, chegando a R$ 6,76 por litro. Já o diesel S-10 recuou 1,27%, para R$ 7,21 por litro.
Safra pressiona preços do biocombustível
Os dados mostram que o etanol aprofundou o movimento de queda iniciado em abril, refletindo diretamente o aumento da moagem de cana e da disponibilidade do combustível no mercado.
Desde o pico registrado em meados de abril, o preço médio nacional do etanol acumulou queda próxima de 7%, passando de R$ 4,82 para R$ 4,48 por litro — redução de R$ 0,34 por litro.
O cenário também aumentou a competitividade do biocombustível frente à gasolina. A relação entre os preços dos dois combustíveis caiu de 71,7% para 69,7%, voltando a ficar abaixo da referência de 70% utilizada como parâmetro para veículos flex.
Na prática, isso indica que o etanol voltou a apresentar vantagem econômica em parte do país, embora o resultado varie conforme estado, veículo e condições locais de consumo.
Centro-Sul lidera quedas
As maiores reduções no preço do etanol foram registradas em estados ligados à produção e distribuição do biocombustível no Centro-Sul.
Goiás liderou as quedas, com recuo de R$ 0,24 por litro, seguido pelo Distrito Federal (-R$ 0,22), São Paulo (-R$ 0,21), Minas Gerais (-R$ 0,20) e Mato Grosso (-R$ 0,19). O comportamento reforça a influência direta do avanço da safra de cana sobre os preços finais ao consumidor.
Mercado acompanha petróleo e mix das usinas
Além do ritmo da safra brasileira, o mercado monitora fatores como câmbio, petróleo e a estratégia das usinas em relação ao mix de produção entre açúcar e etanol. Com maior oferta de cana disponível neste início de safra, o aumento da produção de etanol hidratado tem ampliado a pressão baixista sobre os preços, cenário acompanhado de perto pelo setor sucroenergético e pelos consumidores.
Comentários
