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Exportações da piscicultura caem forte no 1º trimestre

Embarques recuam mais de 40% em volume, mas redução de tarifas nos EUA impulsiona reação em março

Exportações da piscicultura caem forte no 1º trimestre
Exportações de pescado recuam no início de 2026, mas mostram sinais de recuperação
Foto do autor Jair Reinaldo
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As exportações da piscicultura brasileira registraram forte queda no primeiro trimestre de 2026, tanto em volume quanto em valor. Os embarques somaram US$ 11,2 milhões entre janeiro e março, recuo de 39% em relação aos US$ 18,5 milhões registrados no mesmo período do ano anterior. Em volume, a retração foi ainda maior, com queda de 41%, passando de 3.900 toneladas para 2.300 toneladas.

Apesar do desempenho negativo no acumulado do trimestre, os dados mostram uma reação ao longo dos meses. Em janeiro, as exportações foram de 592 toneladas, avançando para 711 em fevereiro e alcançando 1.006 toneladas em março. Em valor, os embarques passaram de US$ 3 milhões para US$ 5,1 milhões no mesmo intervalo.

A melhora está diretamente ligada à redução das tarifas de exportação para os Estados Unidos, principal destino do pescado brasileiro. No fim de fevereiro, a taxa caiu de 50% para 10%, o que permitiu a retomada dos embarques, especialmente de filés frescos de tilápia.

Segundo análise de pesquisador da Embrapa Pesca e Aquicultura, a queda das tarifas abriu espaço para recuperação, tendência que pode se manter ao longo do ano, desde que o cenário permaneça estável. Ainda assim, há incertezas, já que a decisão foi tomada pela Suprema Corte dos Estados Unidos e pode ser revertida.

Outro fator de atenção no período foi o avanço das importações de tilápia do Vietnã. Inicialmente concentradas em poucos estados, essas compras se expandiram para novas regiões ao longo do trimestre, ampliando a presença do produto estrangeiro no mercado nacional.

De acordo com especialistas, esse movimento traz riscos sanitários e econômicos. Além da possibilidade de entrada de doenças ainda inexistentes no país, a competitividade do produto importado também preocupa. A tilápia vietnamita chega ao Brasil com preços inferiores ao custo de produção nacional, influenciada por subsídios, menor rigor regulatório e, em alguns casos, benefícios fiscais como isenção de ICMS.

Diante desse cenário, o setor também começa a buscar alternativas para reduzir a dependência de mercados específicos. A concentração das exportações nos Estados Unidos foi evidenciada durante o período de tarifas elevadas, o que tem incentivado empresas brasileiras a ampliar presença em destinos como México e Canadá.

Os dados fazem parte do Informativo de Comércio Exterior da Piscicultura, elaborado pela Embrapa em parceria com a Associação Brasileira da Piscicultura, que acompanha trimestralmente o desempenho do setor e suas tendências no mercado internacional.

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