Segundo informações da Granoeste Corretora, o mercado internacional do milho segue pressionado nesta terça-feira (3). Na Bolsa de Chicago (CBOT), os contratos operavam com perdas entre 1 e 2 pontos no início da tarde, com o vencimento julho cotado a US$ 4,43 por bushel. Na sessão anterior, os principais contratos já haviam encerrado o dia com recuos entre 2 e 3 pontos.
Na Bolsa Brasileira (B3), o contrato julho era negociado a R$ 65,15 por saca, praticamente estável em relação ao fechamento anterior, de R$ 65,17. Já o vencimento setembro operava a R$ 67,60, levemente abaixo dos R$ 67,75 registrados na sessão passada.
O principal fator de pressão continua sendo o bom desempenho da safra norte-americana. O mercado acompanha a reta final do plantio nos Estados Unidos e trabalha com a expectativa de uma produção cheia na temporada 2026/27.
Dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) mostram que 93% da área prevista para o milho já foi semeada. O percentual supera os 92% registrados no mesmo período do ano passado e também fica acima da média histórica para a época.
As condições das lavouras também reforçam o cenário positivo. Atualmente, 67% das áreas são classificadas como boas ou excelentes, enquanto 28% estão em condição regular e apenas 5% são consideradas ruins ou muito ruins. No mesmo período de 2025, apenas 59% das lavouras estavam nas categorias boa ou excelente.
Petróleo e conflitos seguem no radar
Além do clima e da evolução da safra nos Estados Unidos, os investidores continuam atentos às tensões no Oriente Médio. As oscilações nos preços do petróleo seguem influenciando o mercado de milho devido à ligação com a produção de biocombustíveis, especialmente o etanol.
O comportamento da commodity energética tem provocado volatilidade ao longo do ano e permanece como um dos fatores de formação dos preços internacionais do cereal.
Safrinha começa a chegar ao mercado brasileiro
No Brasil, os primeiros lotes da segunda safra começam a ser colhidos e chegam gradualmente ao mercado. Conforme destaca a Granoeste Corretora, indústrias e tradings seguem aguardando a aceleração dos trabalhos de campo antes de ampliar as compras.
A necessidade de exportação da produção brasileira também contribui para aproximar os preços internos da paridade internacional. Com isso, em diversas regiões ainda existe espaço para novos ajustes negativos nas cotações.
No oeste do Paraná, as indicações de compra variam entre R$ 58,00 e R$ 61,00 por saca. Já em Paranaguá, os preços para o milho safrinha estão entre R$ 64,00 e R$ 67,00 por saca, dependendo do prazo de pagamento, localização do lote e período de entrega.
Outro fator acompanhado pelo mercado é o câmbio. O dólar operava em queda nesta terça-feira, próximo de R$ 5,00, após encerrar a sessão anterior cotado a R$ 5,021. A valorização do real tende a reduzir a competitividade das exportações brasileiras e pode exercer pressão adicional sobre os preços internos do milho.