Os preços da mandioca perderam força na última semana e registraram a menor média nominal semanal desde janeiro deste ano, reflexo do avanço da colheita em um momento em que a oferta supera a demanda da indústria.
Segundo pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o mercado segue pressionado pela expectativa de melhora nas condições climáticas nas próximas semanas, cenário que deve acelerar a retirada da raiz do campo e ampliar ainda mais a disponibilidade do produto.
Com a liberação de áreas e o avanço dos trabalhos no campo, a tendência é de continuidade da pressão baixista sobre as cotações da mandioca no curto prazo. Na prática, o aumento da oferta reduz o poder de negociação dos produtores, especialmente em regiões com maior concentração de colheita.
Produtores avaliam reduzir área plantada
O atual cenário de preços baixos já começa a influenciar o planejamento da próxima safra. De acordo com o Cepea, muitos produtores indicam intenção de reduzir as áreas destinadas ao cultivo de mandioca neste ano.
A decisão está ligada à perda de rentabilidade da atividade nos últimos ciclos, somada ao aumento dos custos de produção, principalmente com arrendamento de terras e acesso ao crédito.
Além da pressão sobre os preços, parte das lavouras de primeiro ciclo — aquelas com até 12 meses — vem apresentando produtividade abaixo das expectativas, o que também preocupa produtores e pode limitar os resultados financeiros da atividade.
Oferta elevada desafia o setor
O mercado da mandioca segue acompanhando o ritmo da colheita e o comportamento da indústria compradora. Enquanto a demanda industrial avança de forma mais lenta, a entrada maior de produto no mercado mantém o ambiente desfavorável para recuperação dos preços.
Para produtores do Paraná, um dos principais estados da cadeia da mandioca no Brasil, o cenário exige atenção redobrada aos custos de produção e ao planejamento da próxima temporada.