A oferta de mandioca continua elevada no mercado brasileiro e mantém pressão sobre os preços da raiz. Segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), as cotações registraram mais uma semana de queda, completando nove períodos consecutivos de recuo.
De acordo com os pesquisadores, o cenário é sustentado principalmente pelo interesse dos produtores em reforçar o caixa e liberar áreas de arrendamento, o que mantém um volume expressivo de raízes disponível para comercialização.
Mesmo com a redução do ritmo de entrega por parte de alguns agricultores que possuem apenas lavouras de primeiro ciclo, com até 12 meses de idade, a oferta continua suficiente para pressionar os preços. O resultado é a continuidade do movimento de baixa observado desde o início de abril.
Rentabilidade preocupa produtores
Para o Cepea, os atuais níveis de preços podem ter impacto direto sobre a oferta da cultura no médio e longo prazos. Com a diminuição gradual da disponibilidade de lavouras de segundo ciclo, produtores consultados pelo Centro de Pesquisas avaliam a possibilidade de reduzir ou adiar a comercialização das raízes mais jovens, em razão da menor rentabilidade.
Essa decisão também pode influenciar o planejamento da próxima safra, incluindo a definição das áreas destinadas ao cultivo da mandioca. Caso os preços permaneçam em patamares pouco atrativos, parte dos produtores poderá rever investimentos e estratégias de plantio.
Clima entra no radar do mercado
Além das questões econômicas, as condições climáticas devem ganhar importância nos próximos meses. A previsão do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (Cptec) indica redução dos volumes de chuva entre junho e agosto na região Centro-Sul do país.
Segundo o Cepea, esse cenário poderá impactar tanto o preparo do solo e o plantio das novas áreas quanto o ritmo de comercialização da mandioca. Com menos precipitações, produtores e compradores passam a acompanhar mais de perto os possíveis efeitos sobre a disponibilidade futura da matéria-prima.
Diante desse contexto, o mercado segue atento ao equilíbrio entre oferta, rentabilidade e condições climáticas, fatores que devem determinar o comportamento dos preços da mandioca ao longo do segundo semestre.