O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) participou do III Fórum de Finanças Climáticas e de Natureza, realizado durante a Rio Nature Climate Week (RNCW), no Rio de Janeiro. O evento reuniu representantes de governos, instituições financeiras, organizações da sociedade civil e especialistas para discutir mecanismos de financiamento voltados à adaptação climática, segurança alimentar e conservação ambiental.
Representando o Mapa, o assessor especial do ministro e coordenador do Programa Caminho Verde Brasil, Pedro Cunto, integrou o painel sobre segurança alimentar e adaptação climática. Durante o debate, ele destacou o crescente interesse dos produtores rurais por práticas sustentáveis e apresentou as próximas etapas do programa voltado à recuperação de áreas degradadas.
Segundo Cunto, uma nova rodada de investimentos está prevista para o próximo ano por meio do Eco Invest Brasil, com aporte de US$ 500 milhões da Agência de Cooperação Internacional do Japão (JICA). Os recursos deverão atender principalmente pequenos e médios produtores rurais.
O representante do ministério explicou ainda que estão em andamento negociações para envolver empresas japonesas como parceiras estratégicas do programa, oferecendo apoio aos produtores e garantias adicionais às instituições financeiras. Também está prevista a contratação de uma empresa especializada para fornecer assistência técnica e monitoramento dos projetos, reduzindo custos operacionais.
Recuperação de solos e ampliação do crédito
Durante o painel, o sócio-diretor da Agroícone, Rodrigo Lima, ressaltou a importância da agricultura regenerativa e da recuperação da fertilidade dos solos para garantir produtividade e sustentabilidade no campo.
Segundo ele, a restauração de áreas degradadas é um dos principais desafios para o futuro da agropecuária global. Lima destacou ainda a relevância do Programa Caminho Verde Brasil, que prevê R$ 30 bilhões em financiamentos para iniciativas de recuperação produtiva e ambiental.
Outro tema debatido foi a necessidade de ampliar o acesso ao crédito para diferentes modelos de produção agrícola, especialmente diante dos desafios climáticos e das metas que serão discutidas durante a COP31.
Desafios para atrair investimentos
Pedro Cunto também abordou os obstáculos enfrentados pelo Brasil para atrair capital internacional destinado a projetos sustentáveis. De acordo com ele, fatores como o custo do hedge cambial e as taxas de juros elevadas dificultam a entrada de recursos estrangeiros.
Para superar essas barreiras, o coordenador defendeu a criação de mecanismos mais eficientes de garantia e redução de riscos, tornando os investimentos em projetos de restauração ambiental mais atrativos para financiadores internacionais.
Programa busca restaurar 40 milhões de hectares
Coordenado pelo Mapa, o Programa Caminho Verde Brasil tem como meta restaurar 40 milhões de hectares de terras degradadas ao longo dos próximos dez anos. A iniciativa busca transformar essas áreas em sistemas produtivos sustentáveis, contribuindo para a segurança alimentar, a transição energética e o cumprimento dos compromissos ambientais assumidos pelo país.
Segundo o ministério, o programa integra a estratégia nacional de desenvolvimento sustentável e reforça o protagonismo do Brasil nas discussões globais sobre agricultura, clima e preservação ambiental.